O Festival de Teatro de Fortaleza acontece desde 2001, quando foram abertos os primeiros diálogos com os grupos locais para a realização de um evento profissional. Ao longo dos anos, o FTF passou por diversos momentos, com o enfoque no fazer teatral e a consolidação das discussões a respeito das políticas públicas na área das artes cênicas, até chegar a ideia da descentralização dos espetáculos pela cidade, tomando a forma de uma mostra de repertório de grupos e demonstrações de processo de trabalho. Em 2011, o evento atinge a maturidade e se consolida como um importante estímulo nas ações de produção, formação de plateia e artistas e democratização do acesso à arte e à cultura. Histórico das edições do Festival de Teatro de Fortaleza I ediçãoA 1ª edição do Festival, no ano de 2000, teve a atuação do produtor Ricardo Salmito, que realizou um festival com um formato de visitação itinerante dos jurados entre as peças que já estavam em cartaz na cidade. O processo, ainda embrionário do que iria se tornar o Festival de Teatro de Fortaleza, foi uma iniciativa importante no cenário local, porque já trazia a perspectiva de desenhar uma estrutura profissional e colaborativa na ‘cena teatral’ da cidade de Fortaleza. Os anos posteriores provariam isso. II ediçãoO segundo ano de Festival teve o objetivo de atender aos anseios do movimento teatral fortalezense, o qual é reconhecido como um dos mais atuantes do Brasil. Em 2001, o primeiro passo foi a criação do Festival de Teatro Inter-Bairros, através da Lei Municipal nº. 7.674/ 1994, pela Prefeitura Municipal de Fortaleza e executado pela Fundação de Cultura, Esporte e Turismo de Fortaleza – FUNCET como uma das principais ações da política pública municipal para o segmento. O homenageado foi Haroldo Serra, que por sua contribuição ao teatro no Ceará, recebeu um troféu com a marca da regionalidade, criado pelo artista plástico Audífax Rios. O Festival teve caráter competitivo e traçou um panorama da produção teatral de Fortaleza do início da década. III ediçãoJá na terceira edição, o Festival de Teatro de Fortaleza (FTF) privilegiava as apresentações em espaços públicos como praças e principais ruas da capital cearense. A edição de 2003 pensava o Festival como um projeto de inclusão que incluía a exibição da produção teatral da cidade, a discussão e o intercâmbio de idéias e linguagens, a formação de plateia e a democratização do acesso às artes e ao espetáculo. A intenção foi abrir o diálogo com os grupos de teatro da cidade e fazer e profissionalizar o evento. Nesta edição, foi realizada a Mostra Competitiva, distribuindo R$15mil em prêmios na Categoria Adulto e Infantil. O homenageado foi o palhaço Trepinha, o palhaço mais antigo do Estado. Foram 34 espetáculos, sendo 14 participantes da Mostra, 10 grupos convidados, 10 compondo as Mostras Paralelas, além do Programa Repertório com Ricardo Guilherme. IV ediçãoCom o tema ‘A cidade, o Teatro e a Invenção da Vida’, a 4ª edição, em 2006, vinha cada vez mais se aproximando do debate em torno das produções e do fazer teatro local. O Fórum Permanente de Teatro já permeia as relações com a classe artísticas e os entes públicos que gerem o festival. O palco, mais uma vez, se estabelece nas ruas, praças, terminais, além dos próprios teatros. A retomada deste festival como referência maior das artes cênicas em nossa cidade, agrega-se à uma política de editais que efetivam o acesso aos recursos públicos de forma aberta, transparente e com critérios claro, cuja reformulação é resultado do debate democrático com todos aqueles que participam da cena teatral. O FESTIVAL alcançou um grau de maturidade incomum nas relações entre o poder público e a comunidade artística, estabelecendo-se como divisor de águas nas discussões, debates e apreciação de propostas relativas às políticas públicas para cultura na área das artes cênicas. A Mostra de Teatro Adulto e Infantil é composta por 15 grupos, a Mostra Repertório por três espetáculos, a Mostra Paralela 15 grupos e a Mostra Paralela de Teatro de Bonecos composta por nove espetáculos. Nove oficinas fecharam a programação da IV edição do FTF. V ediçãoA 5ª edição do Festival de Teatro de Fortaleza foi uma das mais longas e maiores da história do Festival. Foram 16 dias de uma intensa programação em mais de 100 espetáculos, atingindo cerca de 35mil pessoas. O Festival manteve-se sintonizado com as apresentações em praças e terminais de ônibus e com a proposta de aproximar da comunidade a cena teatral local e teve como destaque a realização do Congresso Brasileiro de Teatro. Em 2007 o Festival experimenta um formato mais aberto, potencializando a descentralização e propondo espetáculos nos diversos bairros de Fortaleza procurando alcançar a população que costumeiramente não frequenta as salas de espetáculos já consagradas como templos da cultura. Outro destaque foi para a Mostra nos Bairros, que levou às seis Regionais espetáculos diversos, além de abrir espaço para que grupos dos próprios bairros apresentassem seus repertórios. Neste ano, a Prefeitura Municipal de Fortaleza, através da Secultfor, resgatou uma dívida histórica com a comunidade circense, promovendo sessões gratuitas do Projeto Circo de Todas as Artes. Até então, os artistas circenses jamais tinham conseguido qualquer tipo de apoio financeiro. Mesmo não ocorrendo Festival em 2009, houve o investimento em um curso de formação teatral com o especialista no método Stanislavski, o russo Vladimir Teplyakov. Das 20 pessoas que participaram da formação, durante 15 dias, cinco foram continuar o curso em Moscou, na Rússia. VI ediçãoA sexta edição do FTF já viria a contemplar a discussão e a construção coletiva de um festival pensando pela comunidade e para uma reflexão mais conjunta. Quatro eixos idealizados pelo teatro nacionalmente compunha o formato do Festival em 2010: sua dimensão econômica, financiamento e gestão; educação em teatro; construção da cidadania e dimensão simbólica da dramaturgia e comunicação. Em 2010 o Festival de Teatro de Fortaleza tomou a forma de uma mostra de repertórios de grupos da cidade, que teve espetáculos apresentados nos principais teatros de Fortaleza. Contou, também, com demonstrações de processos de trabalho, além de espetáculos de grupos que não tinha um repertório pronto para apresentação. Foram convidados jornalistas, dramaturgos e/ou ensaístas convidados locais e de outros estados que escreveram sobre os espetáculos que viram , fazendo uma diagnose do panorama teatral local seguido de uma publicação. O homenageado, B. de Paiva, integrava a programação que apresentava, ainda, realização de seminário ‘Rumos do Teatro de Fortaleza’, encontro dos grupos com curadores dos principais festivais do País. Foram 18 grupos participantes da Mostra de Espetáculos e 02 convidados. Além de B. de Paiva, a 6ª edição também homenageou a atriz Antonieta Noronha, o ator Ricardo Guilherme e a diretora Yuri Yamamoto. 1ª Edição: 2000 |